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VEM AÍ O CARNAVAL, E NA PASSARELA DO SAMBA, A ANCESTRALIDADE REINA

  • Foto do escritor: jornaldoaxe
    jornaldoaxe
  • 28 de fev.
  • 3 min de leitura

Como uma admiradora da história, quero falar de um dos maiores patrimônios culturais e imateriais do Brasil: o samba.Mas, como mulher de fé, não posso deixar de lado minha ancestralidade.

Para contar essa história, não posso começar pelo presente. Preciso voltar às suas origens, dar uma volta completa no tempo e resgatar as raízes desse ritmo que embala corações.

O samba nasceu por volta de 1860, no Recôncavo Baiano, na Bahia de Todos os Santos. Nas senzalas, o som forte e potente dos atabaques — feitos de madeira de lei e couro de boi, bode e carneiro, com aros de ferro — ecoava como expressão de resistência e identidade. Os negros escravizados, após realizarem seus rituais de louvor aos ancestrais, dançavam e celebravam com o samba de terreiro.


Crescendo além das senzalas, o samba quebrou barreiras e percorreu caminhos, chegando aos morros do Rio de Janeiro. No século XX, desceu para os espaços urbanos e incorporou novos instrumentos. Foi nessa época que encontrou morada na casa de uma baiana que já vivia há muitos anos na cidade: Tia Ciata. Foi em sua casa que, em 1916, aconteceu a primeira grande roda de samba.


Em 1928, a primeira escola de samba do Brasil foi fundada: Deixa Falar. Criada por um grupo de amigos apaixonados pelo Carnaval, essa agremiação ajudou a estruturar os desfiles que conhecemos hoje. Com o tempo, crises vieram, mas a paixão pelo samba e pelo Carnaval manteve a chama acesa. Assim nasceu o bloco União das Cores, que mais tarde daria origem à lendária escola de samba Estácio de Sá.


Desfilando por anos no Grupo Especial, em 2020 a Estácio de Sá desceu para a Série Ouro. Mas em 2025, com o samba-enredo "O Leão Se Engerou em Encantado Amazônico", a escola promete exaltar as culturas ancestral e indígena.

Sou uma mulher de terreiro, filha das tradições de matriz africana, e apaixonada pelo samba. Poderia falar das agremiações de São Paulo e de diversas capitais que realizam desfiles, mas hoje quero destacar as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, conhecidas como a elite do Carnaval carioca.


Este ano, essas escolas vêm encantando o público com sambas-enredo que são verdadeiras homenagens à nossa cultura. O povo de matriz africana está em festa, pois somos representados e celebrados.


Saravá, meu povo! Saravá!

A bateria está formada, com pandeiro, surdo, tamborim, chocalho, cuíca, repique, agogô, reco-reco, caixa e pratos. E este ano, muitas escolas trouxeram o atabaque para a avenida, resgatando a força da ancestralidade.


A história de reis e rainhas negras, caboclos, voduns, orixás e do povo de rua tomará conta da Marquês de Sapucaí, a passarela mais famosa do Carnaval.


OS SAMBAS-ENREDO QUE EXALTAM A ANCESTRALIDADE EM 2025

📌 Beija-Flor de NilópolisApresenta a trajetória de um ogã, filho de Xangô e apontado por Ogum, que dedicou sua vida ao samba.🖤 "Laila de Todos os Santos, Laila de Todos os Sambas"


📌 Acadêmicos do SalgueiroCom magia e encantamento, o enredo foca na fé e proteção dos malandros e pretos-velhos, guardiões de sabedoria e feitiço.🔴⚪ "Salgueiro de Corpo Fechado"


📌 Acadêmicos do Grande RioUma viagem pelas águas misteriosas do Pará, enaltecendo orixás, voduns e caboclos, além da força das caboclas Jarina, Herondina e Mariana.💙💚 "Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós"


📌 Imperatriz LeopoldinenseO desejo de Oxalá em visitar o reino de Xangô, encontrando Exu no caminho e desvendando ensinamentos ancestrais.💛💚 "Ómi Tútú ao Olúfon - Água Fresca Para o Senhor de Ifón"


📌 Unidos do ViradouroA saga de Malunguinho, quilombola nordestino e juremeiro de corpo fechado, mensageiro entre os mundos.❤️🤍 "Malunguinho, o Mensageiro de Três Mundos"

📌 Unidos da TijucaTraz a história de Logunedé, o jovem príncipe orixá da caça e da prosperidade, filho de Oxóssi e Oxum.💛💙 "Logun-Edé – Santo Menino Que Velho Respeita"


📌 Paraíso do TuiutiA dualidade entre bem e mal nas religiões de matriz africana e a história de Xica Manicongo, uma mulher trans que desafiou paradigmas e preconceitos.🟡🔵 "Quem Tem Medo de Xica Manicongo?"


Eu poderia passar horas e dias digitando sobre a ancestralidade e o samba, que são temas infinitamente ricos. Mas depois de revisitar esses sambas-enredo, volto ao ponto de partida dessa jornada: a ancestralidade é a base de tudo.


Viva o samba!Viva o Carnaval!A ancestralidade vive em mim.

🖤✨ Nadja Cabral - Omí Afefé


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