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A Cozinha de Axé: O Sagrado que Alimenta Corpo e Alma

  • Foto do escritor: jornaldoaxe
    jornaldoaxe
  • 14 de mar.
  • 2 min de leitura

No coração de cada terreiro de Candomblé, existe um espaço onde o sagrado se manifesta de forma silenciosa, mas profundamente essencial: a cozinha de axé. Muito mais do que um local de preparo de alimentos, essa cozinha é a fortaleza da casa, onde o suor, a dedicação e o amor se misturam aos temperos, criando uma energia que alimenta tanto o corpo quanto o espírito.

A culinária africana, trazida e ressignificada nas casas de axé do Brasil, não se limita ao ato de cozinhar e servir. Ela é um rito de respeito aos Orixás e à ancestralidade, um ato de partilha e sustentação do axé. Dentro desse espaço sagrado, cada pessoa tem seu papel e sua função, mas a responsabilidade maior recai sobre uma figura essencial: a Yabassê, a mãe que alimenta.


Ser Yabassê é muito mais do que ocupar um cargo; é uma missão concedida pelo sagrado. Através de suas mãos, a energia dos Orixás se transforma em sustento. Combinando a precisão da química dos temperos à herança cultural e ancestral, ela traduz a força do axé em cada prato servido. Sua função é tão respeitada que até mesmo os Babalorixás e Yalorixás pedem sua benção, reconhecendo a importância de seu ofício.


No Candomblé, comer é um ato sagrado. Não se trata apenas de alimentação, mas de fundamento religioso. O alimento conecta os filhos da casa aos Orixás e à força ancestral. Antes de qualquer ritual, a comida é oferecida aos ancestrais, a Exu, a Ogum, à terra e aos atabaques, abrindo os caminhos e fortalecendo o axé do terreiro.

A crença diz que os Orixás vêm compartilhar da mesa com seus filhos. Nesse momento, a harmonia, a paz e o respeito devem imperar, pois ali, no alimento, reside a ligação mais pura entre o mundo espiritual e o material. Comer em um terreiro de Candomblé é experimentar essa essência sagrada, algo que não pode ser encontrado nos pratos comercializados nas ruas, restaurantes ou botecos. A diferença está na energia que a Yabassê e seus auxiliares depositam em cada refeição, garantindo que nunca falte o alimento sagrado nem na casa de axé, nem no lar de seus filhos.


Os pratos oferecidos a cada Orixá carregam simbolismo e fundação espiritual. Veja alguns dos alimentos tradicionais dedicados aos Orixás:


Exu – Ximxim de galinha ou farofa de miúdos com pimenta.

Ogum – Feijoada ou feijão preto com camarão e dendê.

Oxóssi – Bode com milho.

Omolu – Costela de porco com farofa de torresmo.

Xangô – Rabada com polenta e quiabo.

Nanã – Sarapatel.

Iansã – Acarajé com vatapá.

Oxum – Moqueca de ovo e doce de banana.

Iemanjá – Peixe frito, mariscada e manjar de coco.

Oxalá – Creme de inhame com carneiro, tapioca com mel, canjica branca.


Cada um desses pratos é preparado com respeito e intenção, perpetuando um ciclo ancestral que mantém viva a tradição do Candomblé. A cozinha de axé não é apenas um espaço de preparo, mas um altar onde se manifesta o poder do sagrado através do alimento.

Wá jeun! Vamos comer e celebrar o axé!


Por Ekedy Nadja Cabral - Ómi Afefé www.jornaldoaxce.com.br

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