Depois de tudo o que foi dito nesta série, a verdade ficou mais clara: o povo de terreiro sofre com a intolerância religiosa, mas também sofre com a própria desorganização. E enquanto essa realidade não for encarada com sinceridade, muita coisa continuará se repetindo.
Muita gente acredita que sabe se defender. Mas, quando o problema chega, descobre que saber reclamar não é a mesma coisa que saber agir.
Diante de uma agressão, é comum a revolta aparecer primeiro. A pessoa grava vídeo, faz postagem, pede ajuda, marca conhecidos, cobra autoridades e se desespera. Tudo isso pode até fazer parte do momento, porque ninguém está preparado emocionalmente para ver sua fé atacada
Existe uma pergunta que muita gente só faz quando o problema já bateu na porta: “e agora, quem pode me ajudar?”
O erro está justamente aí. Procurar apoio depois que a casa virou alvo é correr atrás do prejuízo. Quando uma denúncia falsa aparece, quando o vizinho começa a perseguir, quando a fiscalização chega, quando um filho problemático ameaça, quando a intolerância vira agressão, o dirigente precisa estar preparado. E preparo não nasce no susto.