Tem assunto que incomoda porque obriga a gente a olhar para dentro. Talvez por isso muita gente prefira falar apenas do inimigo que vem de fora.
Quando alguém invade um terreiro, persegue uma casa, tenta calar o atabaque, ofende uma liderança ou usa a internet para atacar Umbanda, Candomblé, Jurema e outras tradições de matriz africana, a comunidade reage. E precisa reagir mesmo. Racismo religioso é crime, intolerância religiosa é violência, e ninguém deve aceitar calado a
Toda vez que um terreiro é atacado, a comunidade se revolta. Quando um instrumento sagrado é apreendido, uma casa é invadida, uma criança é agredida, um sacerdote é ofendido ou uma religião de matriz africana é atacada publicamente, a indignação aparece.
Vêm as notas de repúdio.
Vêm os vídeos.
Vêm as lives.
Vêm os comentários revoltados.
Vêm os compartilhamentos.
O Brasil chegou a um ponto perigoso quando professores, diretores e escolas públicas começam a ser intimidados por cumprir a lei. Não estamos falando de opinião religiosa, de preferência pessoal, de gosto ou desgosto por religiões de matriz africana. Estamos falando de educação, de história, de cultura, de currículo obrigatório e de respeito à legislação brasileira.