Movimento Chega reúne lideranças para apresentar o novo plano de trabalho e sua estrutura dministrativa.
Em reunião realizada em 20 de Abril no Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda, o Movimento Chega apresentou para a comunidade de sacerdotes e lideres religiosos da Comunidade de Umbanda e Candomblé as novas diretrizes do Movimento, seus objetivos e estrutura administrativa.
Com a presença marcante dos líderes de nossa comunidade, estiveram presentes e representadas várias instituições, sacerdotes e religiosos que hoje são os pilares de orientação das ações do Movimento que visa alterar o atual quadro de intolerância religiosa, exclusão social e desinteresse político da comunidade de Umbanda e Candomblé.
Além de apresentações artísticas e culturais de raiz afro-brasileira, durante a reunião foram apresentadas várias palestras das lideranças do Movimento, com destaque especial para Pai Rubens Saraceni, Presidente do Movimento Chega, que destacou o rumo social que o Movimento tomou e a necessidade de ações afirmativas para o crescimento da comunidade, comprometendo-se com os aspectos sociais do Movimento. Pai Guimarães D’Ogum - Diretor Executivo do Movimento - conclamou a todos de nossa comunidade a participar ativamente das ações que o Movimento apoiará em prol da união comunitária para diminuição da exclusão social. Dr. Basílio – Vice-Presidente dos Comitês de Trabalho do Movimento – destacou os aspectos solidários dessa nova fase e sua aderência com as expectativas de maior representatividade política. Ainda falou Pai Aguirre – Presidente do Superior Órgão de Umbanda e Vice-Presidente do Conselho de Eméritos do Movimento Chega, destacando o compromisso que o SOUESP tem com o Movimento e com todas as iniciativas que engrandeçam a nossa querida Umbanda.
Foram apresentadas ainda por Ari Pereira – Diretor de Comunicação do Movimento – as bases e os novos fundamentos do Movimento, que agora pauta sua atuação em três pilares: (1) ações afirmativas de apoio à comunidade visando diminuir a exclusão social, (2) combate aos constantes e crescentes movimentos de intolerância religiosa e (3) melhora na representatividade política com apoio às propostas políticas em sintonia com as necessidades das comunidades religiosas de matriz afro-brasileira.
“Vivemos um ciclo vicioso em nossa comunidade...”, resume Ari Pereira. “A ausência de representatividade política, tem gerado crescentes e constantes ondas (inconstitucionais) de intolerância religiosa, que gera exclusão social por parte da sociedade civil desinformada das práticas e aspectos de nossa religiosidade, que por sua vez gera mais ausência política, com mais intolerância, mais ausência política... enfim, é uma ciranda negativa que pretendemos fazer girar em sentido inverso”, sintetiza Ari.
O Movimento concluiu que o cenário atual, aponta ainda para mais perdas no curto prazo envolvendo os aspectos de cidadania. Se não forem tomadas providencias imediatas que combatam a crescente onda de intolerância religiosa, em pouco tempo as minorias de nossa comunidade terão seus direitos constitucionais aviltados de forma pungente e irreversível. “A via jurídica e a representatividade política ainda são os melhores caminhos para a preservação de tais direitos, porém é necessário o fortalecimento social, cultural e financeiro das minorias religiosas como forma de alcançar esse fim” – enfatiza Rubens Saraceni.
“Porém, mesmo por parte de nossa comunidade, ainda não existe a concreta noção dessa realidade”, aponta Pai Guimarães, que é um dos mais aguerridos membros do Movimento contra a desigualdade social.
Apesar do cenário desanimador, o Movimento tem lutado pela conscientização e identificou dentro da própria comunidade os princípios para a estratégia da nova fase dessa luta, que são hoje seus fundamentos:
Independente da frustração política é preciso criar dispositivos que combatam as crescentes (e ilegais) investidas contra os aspectos religiosos da nossa comunidade, seus membros e minorias.
Além de eleições favoráveis que representem nossa comunidade, precisamos disseminar a “Cultura do Livre Pensar Religioso”, como instrumento de agregação, cidadania e inclusão social.
Existe suficiente base constitucional para sustentação de tais direitos, mas é preciso instrumentalizar um canal facilitador para os membros da comunidade exercerem essa cidadania.
Através de ações afirmativas cultivamos a simpatia da própria comunidade, o que estabelecerá as bases para o engajamento na causa, pois se não for cultivada essa necessidade poderá haver uma percepção negativa pela própria comunidade de que o Movimento enxerga apenas a via eleitoral como resposta, ou seja: fora da eleição não há salvação?
“Sim, há...”, comenta Ari Pereira, “...A começar pelo fomento e promoção de ações afirmativas dentro das comunidades de Umbanda e Candomblé apoiando suas carentes atividades sociais é a primeira das vias. Tornar o Movimento uma referência natural da comunidade em suas necessidades jurídicas que envolvam regularização, estruturação e principalmente intolerância religiosa é a segunda. Viabilizar propostas políticas que atendam os interesses e desejos diretos da comunidade de Umbanda e Candomblé é a terceira via.
Com base nesses princípios o Movimento estabeleceu sua nova missão que é Identificar, captar, estruturar e organizar ações que viabilizem essas iniciativas dentro da própria comunidade. “O Movimento não quer e não dará apoio a projetos e idéias nascidas dentro do Movimento” enfatiza Ari, “a proposta do Movimento é justamente apoiar as dezenas de projetos sociais já existentes na comunidade, que carecem de maior apoio para se realizarem”, conclui.
Em outra vertente de posicionamento, o Movimento também reafirma seu afastamento de qualquer discussão quanto aos aspectos religiosos e litúrgicos da comunidade. “Não pretendemos e nem queremos unificar ou mesmo encaminhar qualquer discussão de cunho religioso” afirma Ari, “nosso comprometimento é com as questões sociais, jurídicas e de intolerância”.
O Movimento está estruturando-se como uma organização não-governamental, supra-religiosa e juridicamente estabelecida, que oferecerá um valor percebido para a comunidade alcançar esses fins, desenvolvendo ações, projetos e eventos que visem a captação de recursos, destinando para as propostas sociais, suporte jurídico e propostas que estejam fortemente comprometidas com a comunidade de Umbanda e Candomblé: “É um trabalho de congregação comunitária” comenta Ari, “nós simplesmente buscamos consolidar recursos e trabalho comunitário, em prol e para a comunidade. A diferença está na organização, logística e foco de recursos que hoje não existe”.
Em breve, o Movimento que já tem seus cargos administrativos estabelecidos, estará comunicando a comunidade sua estrutura de trabalho que é composta pela experiência dos grandes decanos religiosos, somado a vivência e energia de um corpo de voluntariado formado dentro da própria comunidade. “Através de nosso site, todos que quiserem participar de nossa proposta poderão se cadastrar e dedicar de forma ordenada seu tempo e recursos em benefício comum da própria comunidade”, finaliza Ari.